Será mesmo que a diferença entre os sexos é coisa do passado? Pois não é que isso tudo começa justamente em casa, com a (des)educação primária, em crianças com mentes em branco a serem preenchidas?
Já pensamos por aqui antes nessa diferença natural e até necessária entre os sexos. Mas o que perturba é, muitas vezes, perceber que justamente o oprimido está tão catequizado pra defender a causa do opressor que acredita mesmo nela. Qual a diferença entre a mulher que deseja usar burca no oriente e a do ocidente que acredita ainda hoje que sua filha deve servir domesticamente o marido ainda que esta também trabalhe fora? Nenhuma!
O feminismo trouxe um problema para a mulher ocidental: agora, para ser uma boa mulher, plena, realizada, ela precisa ser profissional bem-sucedida, mãe exemplar e boa esposa (o que inclui cuidar dos afazeres domésticos, o chamado “3° turno”). Claro que administrar uma casa, nos moldes da chamada classe média envolve o relacionamento com eventuais empregados e a atenção
com toda a família, o que só aumenta a carga, não a distribui. O que pouco se percebe é que essas obrigações domésticas nunca acabam, não têm férias, 13° salário, dia de folga. Quase nunca são reconhecidas e colocam a mulher numa posição desconfortável de dependência.
Então, o feminismo, ao contrário da igualdade que prega, acabou, na prática, trazendo o desafio de agregar ainda mais obrigações a uma mulher que tem ainda o ‘peso’ de ter uma carreira profissional. A ponto de que ser “apenas dona-de-casa” passa a ser visto com maus olhos. Talvez por que situações históricas tenham forçado o ingresso das mulheres no mercado de trabalho e paralelamente, não tenha havido uma preparação da sociedade, um “alargar de horizontes” dessas mulheres. Criou-se, assim, mais uma obrigação.
Anima perceber que mais homens estão assimilando a nova realidade, dividindo tarefas e até colocando-se no papel de “dono-de-casa”; o desanimador é perceber que as mulheres estão regredindo. Incrível o número de mulheres bem jovens que, por preguiça, estão preferindo o papel de mães e donas-de-casa.
Simplificando: alguns homens e mulheres ainda acreditam que as mulheres devem, obrigatoriamente ser responsáveis pela gerência, organização e limpeza da casa. Alguns homens e mulheres entendem que deve haver um equilíbrio apesar do que lhes é ensinado em casa.
Apesar de ser completamente apaixonada pela minha liberdade e pelo direito de fazer em casa apenas o que eu estiver disposta a fazer, sou pelo direito de escolha. Se uma pessoa acredita que escolher – como vi esta semana – aos 15 anos de idade estar casada e ser mãe como única opção para a vida de uma mulher, só posso lamentar. Por que não acredito que isto foi uma “escolha”. Acredito que ela só conhece essa possibilidade como ideal de felicidade. Acredito que foi ensinada por sua mãe, que vive junto com ela e o marido, de que assim que deve ser. Mais uma vez a lógica do opressor sendo completamente assimilada pelo oprimido como sendo a verdade única.
A partir do momento em que essa escolha for completamente consciente, em que for oferecida a possibilidade de testar as diferentes condições e houver uma escolha livre, defenderei sempre o direito das mulheres que optarem por serem as “donas-de-casa”. Do contrário, terá sido, mais uma vez, um imposição sem força, feita apenas pelas questões culturais.
Aliás, isso de ser “dona” da casa dá o que pensar, né? Como pode ser dona alguém que fica limitada ao mundo doméstico e, no máximo, pode opinar sobre as compras, condicionadas à vontade do agente pagador até pra comprar roupa íntima? Como pode ser “dona” da casa aquela que depois de um árduo dia com o mesmo número de horas de trabalho, exigências profissionais, estudo dos demais, ainda deve ir pra cozinha enquanto o “parceiro” senta confortavelmente a esperar pela janta e com a casa limpa?
Cabe às novas gerações o desafio que as últimas ainda estão enfrentando: a verdadeira igualdade entre os sexos. Por que mesmo aqueles que seguem supostos preceitos religiosos não têm bases para afirmar que existe determinação divina para diferentes situações humanas. O que há é o de sempre: humanos tentando se dar bem em cima de outros.



















