Não. Esta não é aquela teoria do filme “Alguém como Você”, comédia romântica estrelada por Hugh (gostoso, lindo, maravilhoso) “Wolverine” Jackmann e Ashely Judd que fala das vacas velhas e vacas novas.
Mas não foi por acaso que esses pensamentos começaram a ser formulados.
Na época em que vinha pra SP a passeio, achava ótimo, fazia sucesso entre as pessoas hetero do gênero masculino e tal. Morando, percebi a diferença.
Quando você ‘fica’ com alguém que não mora perto, há a quase certeza do NÃO compromisso. Já em culturas onde as pessoas prevêem, necessariamente, um compromisso de uma relação entre duas pessoas que ficaram juntas uma ou duas vezes, estar na mesma cidade oferece um certo ‘risco’. Um lugar onde as pessoas usam anel de compromisso quando saem duas semanas juntos e onde CASAMENTO significa exatamente isso (‘igreja’, papel passado) em oposição a lugares onde casamento significa uma relação estável sob ou não o mesmo teto, tende a emanar um certo conservadorismo e sem nenhuma intenção pejorativa nisso. Esse conservadorismo é, neste caso, em relação apenas a esta bobagem de ‘chegar’ ou não numa mulher com mais – digamos – ênfase. Cada lugar é conservador em relação a costumes diversos e isso não é, necessariamente, ruim. No caso aqui, falamos desse excesso de gentileza que pode deixar algumas moçoilas sem paciência.
Observando homens de vários lugares do país, percebe-se a facilidade com que alguns homens ‘chegam’ nas mulheres quando na cidade de São Paulo, o que poderia advir do fato de estarem fora de seus “habitats” naturais. MAS – e aí vem o cerne da questão – eles agem da mesma forma morando aqui. Paralelamente, numa pesquisa absolutamente empírica, observamos – o bando de pouco-comidas e eu – que os homens com origem em lugares cuja identidade cultural tem lides mais brutais, como lidar com gado, são justamente os que tem menos papo e mais ação. Como o “não” já está lá, só resta tentar. De modo geral, quando você reclama, o que se ouve é: Aí o tempo passa e aquele primo da sua amiga, que você nunca tinha olhado mas é (apenas) simpático, ouve vocês reclamando da falta de sexo no mercado e rápido se oferece, claramente, pra resolver o seu problema. Em alto e bom tom na frente de todos da mesa. Como você deu uma risada ele se animou e pegou você no dia seguinte, longe de olhos cobiçosos. Para seu completo deleite, já que você é descolada mas não quer parecer fácil, né?
Nota do Internético:É com grande satisfação que dou as boas-vindas à Silvana como colunista do blog,espero que todos os leitores (estejam onde estiverem) a recebam muito bem com seus ótimos artigos
Já o nativo é um tanto quanto menos afoito e, levando-se em consideração o apetite sexual mais explícito das mulheres na sociedade atual, essa gentileza em não ‘patrolar’ cada mulher que vê passa a ser considerado “lerdeza” e “falta de pegada”. Há sempre um ou outro exemplo salvador que talvez apenas confirme a regra.
Entendo o tempo de paquera, do jogo; é muito gostoso e se for inteligente, é melhor ainda porque mais estimulante. Mas também há o tempo, ‘timming’ pras coisas acontecerem ou não. E quando esse tempo passa, a libido dificilmente permanece.
- ah, então você está saindo com as pessoas erradas…
- é mesmo? Isto é um convite?
- é só marcar [PRONTO, "é só marcar" é o "veja bem" das cantadas.]
Aí você, mulher independente, descolada e sexualmente ativa e necessitada, responde animada:
- tudo bem, que tal sexta-feira?
- então…[como é terça e até lá pode surgir uma oportunidade melhor que essa sua oferta, ele tenta enrolar com o "então" seguido de "vamos falando"]… Vamos falando porque toda sexta tem happy hour do serviço [se é toda sexta, ele poderia fazer algo diferente, como comer alguém, né? Você, de preferência.]…
- tá bom. Eu ligo ou você me liga?
- então… A gente se liga…[significa que ele não vai ligar e você, irritada, liga ou não, mas não rola igual]
ISSO TUDO APESAR DE VOCÊS JÁ ESTAREM SE FALANDO E PODEREM MARCAR. Afinal, se houver necessidade, sempre se pode desmarcar um compromisso. Vocês praticamente vão às vias de fato – FALANDO – mas ainda ficaram de “se falar”.
Mais algum tempo e um cara que sempre dá uma cantada grosseira de tão explícita solta uma frase inteligente e você pensa: “por que não?”… Pronto, descolada, você já é fácil.
O que estes dois caras têm em comum: ausência de medo, cara-de-pau e são de lugares onde a identidade cultural está, invariavelmente ligada às lides mais brutas como RN, PI, MG, PA. Eles não têm muita paciência com vacas e cabras. Por que teriam com você?
Um pode ser bailarino e o outro escritor, mas nenhum se faz de gentil de forma a respeitar as mulheres ao ponto delas cansarem de esperar. E como as vacas, digo, mulheres, gostam de cafajestes…




















